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Ensaios



Voraz

 

Não foi por mim que nasceu o medo da solidão.

Também não me lembro em que momento esta semente foi lançada, se no desconforto dos casais amigos, na esperança moralista da família ou no preconceito de um covarde.

Quando dei por mim, também eu estava tomada pelo medo, sufocada e com medo.

Em meio ao desespero, em lágrimas e fúria me libertei. Arranquei de mim todo aquele emaranhado que crescia e me pesava, deixei que a luz entrasse e enfim me vi como eu era: linda, forte, viva e plena.

Como um potro, tratei de correr e experimentar meu vigor, sentir o vento, me amar como sou e do meu jeito, tratar de ser feliz.

 

 

Regado a Mondo Bongo (Joe Strummer)



Escrito por Paula às 10h21
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Fica a dica!

 

Não sou fã de cinema, em geral não entendo porque este filme e não aquele ganhou o Oscar. Posso contar nos dedos os que me arrancaram um brilho no olhar. Dentre eles está O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le Fabuleux Destin d´Amélie Poulain, França, 2001).

Fabuloso, por si, já é assistir ao filme.

Trata-se de uma infinidade de história contadas sobre Amélie Poulain, desde sua concepção “No mesmo segundo em que uma mosca californiana capaz de 14670 batimentos de asa por segundo pousou numa rua em Montmartre, um espermatozóide de cromossomo X, pertencente ao Sr. Raphael Poulain, fecundou o óvulo da Sra. Amandine Poulain em solteira Amandine Fouet. Nove meses depois nascia Amelie”, até o apoteótico “destino” da heroína.

O filme é todo narrado de forma empolgante e parcial, como se a qualquer momento algo surpreendente fosse acontecer com Amélie.

A construção da personagem, a beleza com que as coisas corriqueiras são tratadas, “Amélie gosta de enfiar a mão num saco com grãos de feijão e de quebrar a crosta de um crème brulée com a ponta de uma colher”, somado a narrativa carinhosa com que o narrador apresenta a personagem é pura poesia.

Depois dele passei a me interessar pelo cinema francês, mas acho que este é o filho Apolo de Zeus.

 



Escrito por Paula às 10h40
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Garota Interrompida

 

É de embrulhar o estômago o choro da menina de dois anos torturada e humilhada pela procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia no Rio de Janeiro. O caso de repercussão nacional perturba a todos ao imaginar que o sonho do aconchego de um lar feliz foi interrompido por um histórico de horrores.

Horrores estes, dos quais todos temos nossa parcela de culpa, seja por ignorância seja por descaso. O caso em destaque é reflexo das falhas existentes no processo de adoção no Brasil, em especifico, no que trata do acompanhamento da Justiça na adequação das novas famílias.

Não se pode tripudiar os benefícios advindos com a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no que tange aos interesses dos menores. Porém, quanto ao processo de adoção nele previsto, cumpre destacar algumas falhas na legislação.

Conforme preceitua o art. 39 do Estatuto, o procedimento para a adoção, reger-se-á conforme o mesmo. Dentre os requisitos necessários para a condição de adotante (art. 29, 42 etc), bem como a condição de adotado (art. 41 etc), a legislação ainda prevê a necessidade de acompanhamento de serviços auxiliares (art. 150 e 151) composto por equipe interprofissional, cujo principal objetivo é assessorar a Justiça da Infância e da Juventude na averiguação de condições psíquicas, humanas, éticas e econômicas dos interessados no processo de adoção. Em tese, os olhos e ouvidos da Lei no real campo de atuação da Justiça.

O ECA não especifica quais são os profissionais que compõem esta equipe multidisciplinar. Compete a cada Estado especificar os profissionais que compõem sua equipe de serviços auxiliares seja psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, psiquiatras, bem como, a forma e freqüência de atuação destes profissionais na formação das novas famílias.

No caso da procuradora aposentada, a mesma estava com a criança a cerca de um mês, ainda em fase de adaptação. Ao que tudo indica nesse período nenhum membro desta equipe auxiliar acompanhou a criança na casa da procuradora, uma vez que as marcas na criança, provocada pelas agressões da suposta mãe, evidenciam o longo tempo dos maltratos.

Restou dúbia a eficácia da atuação destes profissionais como determinantes para o sucesso da adoção, tendo em vista o relato de uma voluntária do Conselho Tutelar, onde, segundo ela, Vera Lúcia pertence a uma religião satânica e que por isso acredita que a menina seria oferecida em sacrifício a esta seita. Curioso é que este relato parece não ter tido importância ao tempo da aprovação da procuradora como adotante.

Talvez um pouco tarde para se pensar em tais lacunas. Para a menina de dois anos cujos sonhos eram um afago carinhoso, um colo quentinho e uma mão protetora este texto não tem a menor razão de existir. “Demagogia pura” diria ela se soubesse seu significado.

Ela não sabe o que é demagogia, mas sabe mais coisas. Essa menina conhece a fundo a beleza poética de Direitos Fundamentais, Direitos Humanos, Constituição, Eficiência e Eficácia da Lei, entre outras belas filhas do Estado de Direito.

Ela sabe de coisas que nenhum de nós quer saber: o quão terrivelmente materno pode ser o mal.

 



Escrito por Paula às 11h22
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A origem do amor

“Com efeito, nossa natureza outrora não era a mesma que a de agora, mas diferente. Em primeiro lugar, três eram os gêneros da humanidade, não dois como agora, o masculino e o feminino, mas também havia a mais um terceiro, comum a estes dois, do qual resta agora um nome, desaparecida a coisa; andrógino era então um gênero distinto, tanto na forma como no nome comum aos dois, ao masculino e ao feminino, enquanto agora nada mais é que um nome posto em desonra. Depois, inteiriça era a forma de cada homem, com o dorso redondo, os flancos em círculo; quatro mãos ele tinha, e as pernas o mesmo tanto das mãos, dois rostos sobre um pescoço torneado, semelhantes em tudo; mas a cabeça sobre os dois rostos opostos um ao outro era uma só, e quatro orelhas, dois sexos, e tudo o mais como desses exemplos se poderia supor. [...] Eram por conseguinte de uma força e de um vigor terríveis, e uma grande presunção eles tinham; mas voltaram-se contra os deuses, e o que diz Homero de Efialtes e de Otes é a eles que se refere, a tentativa de fazer uma escalada ao céu, para investir contra os deuses. Zeus então e os demais deuses puseram-se a deliberar sobre o que se devia fazer com eles, e embaraçavam-se; não podiam nem matá-los e, após fulminá-los como aos gigantes, fazer desaparecer-lhes a raça - pois as honras e os templos que lhes vinham dos homens desapareceriam — nem permitir-lhes que continuassem na impiedade. Depois de laboriosa reflexão, diz Zeus: “Acho que tenho um meio de fazer com que os homens possam existir, mas parem com a intemperança, tornados mais fracos. Agora com efeito, continuou, eu os cortarei a cada um em dois, e ao mesmo tempo eles serão mais fracos e também mais úteis para nós, pelo fato de se terem tomado mais numerosos; e andarão eretos, sobre duas pernas. Se ainda pensarem em arrogância e não quiserem acomodar-se, de novo, disse ele, eu os cortarei em dois, e assim sobre uma só perna eles andarão, saltitando.”

 Logo que o disse pôs-se a cortar os homens em dois, como os que cortam as sorvas para a conserva, ou como os que cortam ovos com cabelo; a cada um que cortava mandava Apolo voltar-lhe o rosto e a banda do pescoço para o lado do corte, a fim de que, contemplando a própria mutilação, fosse mais moderado o homem, e quanto ao mais ele também mandava curar. Apolo torcia-lhes o rosto, e repuxando a pele de todos os lados para o que agora se chama o ventre, como as bolsas que se entrouxam, ele fazia uma só abertura e ligava-a firmemente no meio do ventre, que é o que chamam umbigo [...] Por conseguinte, desde que a nossa natureza se mutilou em duas, ansiava cada um por sua própria metade e a ela se unia, e envolvendo-se com as mãos e enlaçando-se um ao outro, no ardor de se confundirem, morriam de fome e de inércia em geral, por nada quererem fazer longe um do outro. E sempre que morria uma das metades e a outra ficava, a que ficava procurava outra e com ela se enlaçava, quer se encontrasse com a metade do todo que era mulher - o que agora chamamos mulher — quer com a de um homem; e assim iam-se destruindo. Tomado de compaixão, Zeus consegue outro expediente, e lhes muda o sexo para a frente - pois até então eles o tinham para fora, e geravam e reproduziam não um no outro, mas na terra, como as cigarras; pondo assim o sexo na frente deles fez com que através dele se processasse a geração um no outro, o macho na fêmea, pelo seguinte, para que no enlace, se fosse um homem a encontrar uma mulher, que ao mesmo tempo gerassem e se fosse constituindo a raça, mas se fosse um homem com um homem, que pelo menos houvesse saciedade em seu convívio e pudessem repousar, voltar ao trabalho e ocupar-se do resto da vida. E então de há tanto tempo que o amor de um pelo outro está implantado nos homens, restaurador da nossa antiga natureza, em sua tentativa de fazer um só de dois e de curar a natureza humana. Cada um de nós portanto é uma téssera complementar de um homem, porque cortado como os linguados, de um só em dois; e procura então cada um o seu próprio complemento...” – trecho de “O Banquete” de Platão

 

Da ultima vez que lhe vi

Em vez de um, éramos dois

Você estava olhando para mim

E eu estava olhando para você

Você pareceu-me tão familiar

A cara, de sangue tinhas manchada

E eu de sangue, a vista marejada

Mas a tua expressão me dizia

Que a dor que na tua alma havia

Era a mesma que na minha sentia

Era a dor que em linha reta

Ao meio do coração fendia

Por “amor” ficou conhecida

Unindo-nos num abraço apertado

Tentando juntar o que foi separado

Fazendo amor

 



Escrito por Paula às 13h58
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Em tempo

Suri, fofíssima.

 

 

 

“Eu, a que escreve, digo que dentre as palavras populares, ‘respeito’ talvez seja a mais complexa, isto porque não sou capaz de conceituá-la, e ainda assim, sou ávida ao persegui-la.”

 

 



Escrito por Paula às 14h40
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Um chá maluco

 

“Você já adivinhou a charada?”, perguntou o Chapeleiro, virando-se novamente para Alice.

“Não, eu desisto”, Alice respondeu. “Qual é a solução?”

“Eu não tenho a mínima idéia”, disse o Chapeleiro.

“Nem eu”, disse a Lebre de Março.

Alice suspirou enfastiadamente. “Eu acho que você deveria fazer coisa melhor com seu tempo”, ela disse, “ao invés de gastá-lo com charadas que não têm resposta.”

“Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu conheço”, o Chapeleiro falou, “não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é uma pessoa.”

“Eu não sei o que você está dizendo”, disse Alice.

“Claro que não!”, o Chapeleiro disse, sacudindo a cabeça desdenhosamente. “É muito provável que você nunca tenha falado com o Tempo!”

“Talvez não”, Alice replicou cautelosamente, “mas eu sei que tenho que marcar o tempo quando aprendo música.”

“Ah! Isso explica”, concluiu o Chapeleiro. “Ele não vai ficar marcando compasso para você. Agora, se você ficar numa boa com ele, poderá fazer o que quiser com o relógio. Por exemplo, suponha que são nove horas da manhã, bem a hora de começar a fazer as lições de casa, você apenas tem que insinuar no ouvido do Tempo e o ponteiro dá uma virada num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!”

(“Eu queria que fosse”, a Lebre de Março disse para si mesma num sussurro.)

“Isso seria ótimo, com certeza”, disse Alice pensativamente; “mas então...eu poderia ainda não estar com fome, você sabe.”

“A princípio não, talvez”, retomou o Chapeleiro, “mas você poderia ficar na uma e meia da tarde tanto tempo quanto você quisesse.”

“É assim que você faz?”, perguntou Alice.

O Chapeleiro balançou a cabeça com ar de lamento. “Eu não”, ele replicou. “Eu e o Tempo tivemos uma disputa março passado...um pouco antes dela enlouquecer, você sabe...”( apontando a Lebre de Março com a colher de chá)”. [...]

(Alice no País das Maravilhas, cap VII)

 

 

Obs: não serve como indicação de livro



Escrito por Paula às 16h36
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Da TV

 

O Ministério da Saúde Adverte: Chá do Santo Daime causa "Elieser"

 

 

 

 



Escrito por Paula às 11h22
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Cap. VI - Do Rompimento a Mágoa

 

A gota d'água em seu relacionamento foi, em 1846, a publicação em capítulos, no Correio Francês, do romance Lucrezia Floriani, em que Georg Sand descrevia de forma estilizada o relacionamento com Chopin, e nas cartas que mandou de Mallorca para os amigos, George Sand não escondia que o músico era um homem frágil, extenuado pela doença e que isso se refletia negativamente em seus contatos físicos: “Permaneci uma virgem imaculada durante todo o tempo que passamos juntos nesta ilha”. Além disso, a população os encarava como se fossem pagãos ou maometanos. Todos viravam a cara àquela mulher de calças compridas, que fumava charutos, e se eles precisavam de verduras ou legumes, tinham de pagar preços inacreditáveis por eles. Chopin fingiu, a princípio, não se reconhecer na figura do príncipe Karol, com quem a protagonista vive um amor apaixonado que, aos poucos, se transforma na guerra surda a que se entregam os casais desunidos que continuam juntos por pura rotina. Entretanto, havia sempre amigos que o alertavam.

Irritado com a publicação do livro, e sem poder mais pretextar não ter entendido que era a convivência dos dois que George descrevera, Chopin saiu em novembro de 1846 de Nohant - para onde nunca mais voltaria - e voltou sozinho para Paris. Um tortuoso episódio familiar lhe daria, logo em seguida, a certeza de ter sido descartado da vida dos Dudevant.

Solange, que estava de casamento marcado, conheceu em Paris, onde fora comprar o enxoval, o escultor Clésinger, por quem se apaixonou; e pôs fim ao noivado por causa dele. George tentou de todas as formas impedir a união da filha com esse homem, que considerava grosseiro, mal-educado e de um nível inferior ao dela; mas pediu a Grzymala que não deixasse Chopin intervir. As cenas violentas que irromperam entre mãe e filha não detiveram Solange: casou-se com Clésinger, em 6 de maio e, logo em seguida, levou o marido para apresentá-lo à Chopin, que se ofendeu por não ter sido consultado e nem sequer ter sido avisado do casamento. Ficou claro para ele que George o excluíra dos aspectos mais íntimos de sua vida. A carta de rompimento que lhe enviou, em agosto de 1847 é atroz, escreveu em seu Diário o pintor Delacroix, para quem Chopin a leu: nela se manifestam as paixões mais cruéis, todas as impaciências longamente reprimidas. Chopin, porém, preferiu escapar da agitação no continente, passando uns tempos em Londres, onde se encontrou com alguns amigos que tinham escolhido o mesmo caminho: Berlioz, Kalkbrenner, a cantora Paulina Viardot. A situação política em Paris, porém, não o ameaçava de forma alguma. Se estava fugindo, era das recordações penosas, da falta que George e seus filhos lhe faziam. Disseram-me que ele me chamou, lamentou minha perda, amou-me filialmente até o fim, escreveu ela após sua morte. Chopin faleceu em Paris, a 17 de outubro de 1849 e seu último desejo foi atendido. Três mil pessoas foram à cerimônia fúnebre, realizada no na igreja de Madeleine. Em seu enterro foi interpretado a Missa Requiem de Mozart, como queria. O regente do Teatro da Ópera, Francisco Habeneck, foi quem regeu a obra, cantada por Luiz Lablache e Paulina Viardot, cujas vozes Chopin admirava tanto. Seu corpo está enterrado no cemitério do Père Lachaise, entre os túmulos de Cherubini e Bellini. Dentro da urna, depuseram a taça cheia de terra de seu país natal, que lhe fora presenteada pelos amigos, quando ele deixou Varsóvia. O coração, que lhe tinha sido extraído do peito, foi levado para a Polônia e lá se encontra sepultado.

 



Escrito por Paula às 11h07
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Cap. V - Elle et Lui

Elle et Lui - George Sand e Frederik Chopin

Em 12 de fevereiro, convenceram-se: sua lua-de-mel tinha sido um fiasco. Estava na hora de voltar à França. Mas não havia um só carro em Palma para levá-los até o porto. No caminho, Chopin teve uma hemoptise, que se repetiu durante a viagem no precário barco espanhol El Mallorquín, carregado de porcos que grunhiam sem cessar, reagindo ao balanço daquela casca de noz. Só quando mudaram, em Barcelona, para o navio francês Le Méléagre, o médico de bordo conseguiu deter a hemoptise. Dias depois, estavam instalados no Hotel de Beauvau, em Marselha, onde “podendo finalmente dormir numa cama decente e estender a mão para as pessoas sem que elas recuassem horrorizadas”, Chopin sentiu-se ressuscitar.

Daí até a ruptura em 1847, os momentos mais tranqüilos que os dois amantes viveram foram em Nohant, a propriedade campestre de Georg Sand, mantida até hoje como museu da convivência difícil entre aqueles dois seres dessemelhantes. A respeito escreveu Delacroix: “ondas da música de Chopin entravam pela janela aberta para o jardim, misturando ao canto dos rouxinóis e ao perfume das rosas” Frustrada a esperança da grande paixão erótica, George pareceu compreender que lhe estava reservado, ao lado desse homem genial e de sensibilidade à flor da pele, o papel de protetora, de enfermeira quase. Segundo a escritora, “sua mãe foi a única mulher que ele amou de verdade”.

A saúde de Chopin só piorava, em 1844, George escreveu à Luisa, irmã de Chopin pedindo-lhe que viesse a Paris com o marido, para visitá-lo: “Vocês encontrarão o meu querido menino muito triste e bastante mudado. Não se assustem demais, entretanto, com a sua saúde. Ela se mantém sem maiores alterações há seis anos e, apesar de sua compleição delicada, o problema no peito parece curado”. A alegria de rever a irmã, porém, fez com se recuperasse um pouco. Era real o prazer que sentia em levá-la e ao marido para conhecer Paris, e em ver que Luisa se dava às mil maravilhas com George que, à noite, lia para ela, em voz alta, passagens do Charco do diabo, no qual estava trabalhando.

O relacionamento dos dois amantes, entretanto, estava passando por um lento processo de erosão, de dentro para fora, e aproximava-se o momento em que a vida em comum já não seria mais possível. Chopin suportava mal a personalidade autoritária da companheira, e esta se irritava com suas suspeitas, seus ciúmes, a recusa dele em conviver com seus amigos - vendo em cada um deles um amante em potencial. Ela o censurava também por não se interessar por suas idéias, pelas causas sociais que a mobilizavam, pela paixão, precursora do feminismo, com que batalhava pelos direitos de seu sexo; e, naqueles tempos de anti-clericalismo militante, considerava-o reacionário por permanecer - como todo bom polonês - fiel à sua fé católica. Além disso, entravam constantemente em choque por motivos familiares, pois Chopin desagradava que ela favorecesse sempre Maurice, em detrimento de Solange; e George, embora visse com bons olhos o carinho que ele demonstrava por seus filhos, não permitia que a interferência passasse de determinado limite.

 



Escrito por Paula às 10h58
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Cap. IV – George e Chopin, romance em tempos de romantismo

Cenas de Pragnienie Milósci ou She's my man (2005)

 

 

Em Paris, 1836, George conheceu Frederik Chopin. Ele estava em companhia de Franz Liszt e outros membros de seu circulo de artistas literários, num encontro promovido por Chopin, quando notou a presença de George: “Como é antipática essa Sand! Serás mesmo uma mulher? Estou começando a duvidar...”. George por sua vez, já conhecia os trabalhos e Chopin e de imediato simpatizou com o “Príncipe dos Pianistas”. George não assumiu sua costumeira postura: agachada como uma bola estástica sob o piano. Em vez disso, ela ficou, especialmente enquanto Chopin se apresentava, tranquila e absorta, como uma observadora distante. Foi um papel desempenhado em sua homenagem, mas Chopin ainda não sabia disso. “Fui apresentado a uma grande celebridade: madame Dudevant, conhecida pelo nome de George Sand”, escreveu à família na Polônia. “Sua aparência não é do meu gosto e ela absolutamente não me agradou”.

Mesmo com a primeira má impressão, Chopin não resistiu ao espírito livre e aventureiro de George Sand, muito diferente do seu jeito retraído e introspectivo.

Filho de um professor de francês e de uma pianista, Frederik Chopin nasceu na Polônia em 1810. Desde cedo demonstrou seu talento com o piano e com outras artes. Incentivado pelos pais, Chopin teve acesso a boas escolas, contatos com grandes nomes e, ao contrário de George Sand, sempre obedeceu às tradições e prezou pelos valores morais de sua época. Talvez este seja o motivo pelo qual Chopin evitou o quanto pode às investidas de George Sand.

A “repulsa” provocada por George não demorou para se transformar em atração. Ainda mais depois da decepção amorosa sofrida por Chopin quando este foi abandonado pela noiva Maria Wodzinsk para quem Chopin dedicou o estudo Op. 25 nº2 e a Valsa Op. 69 nº1 “do adeus”.

Diante disso, em novembro de 1838, Chopin concordou em ir para Palma de Mallorca, nas ilhas Baleares, com George e seus dois filhos, Maurício e Solange. Ela o tinha convencido de que o clima do litoral faria muito bem à sua saúde. “Encontro-me em Palma de Mallorca sob as palmeiras, cedros, aloés, laranjeiras, limoeiros, figueiras e pés de romã”, escreveu Chopin a seu amigo Fontana, de início encantado com a vila que Sand alugara. “O céu é turquesa, o mar, lápis lázuli e as montanhas, cor de esmeralda. O ar é igualzinho ao céu. Todos se vestem como no verão e, à noite, ouve-se por toda parte canto e som de violões. Aproveito bem a vida, meu caro amigo, estou mais perto do que há de mais belo no mundo, sinto-me um homem melhor”.

George e Chopin tinham planejado ficar uma longa temporada em Mallorca e, para isso, ambos possuíam 2.000 francos cada um deles – em divergência aos muitos relatos de que George estaria com Chopin por puro interesse financeiro – que os dois juntos torraram tudo em poucas semanas e, em breve, já não tinham mais com que pagar o aluguel da propriedade em que estavam alojados. As chuvas torrenciais tornavam úmida a casa, sem lareira e cheia de goteiras, agravando a tosse de Chopin. E os rumores de que havia um “tuberculoso” no lugar - naquela época o povo tinha tanto medo da tuberculose quanto da peste - os isolaram ainda mais, apressando a decisão do proprietário de despejá-los.

Foram então acolhidos pelo cônsul da França, que lhes aconselhou hospedarem na Cartuxa de Valdemosa, um mosteiro em lugar de difícil acesso: Minha cela parece uma sepultura, escreveu Chopin a um amigo. Habitado apenas por um sacristão, um operário e um farmacêutico, varridos pelos ventos montanheses e tendo como personagens principais uma romancista e um músico apaixonado, o local compunha um autêntico cenário de romantismo.

Porém, não tardou para que o tédio de abatesse: “É tudo tão silencioso que podemos uivar de solidão”, narrou Chopin. O casal gastava somas exorbitantes cada vez que era necessário chamar um médico para atender o músico: os profissionais da ilha não hesitavam em enfiar a faca nos elegantes turistas parisienses. O clima da Cartuxa, principalmente, deprimia Chopin: “Ele não conseguia vencer a inquietude de sua imaginação”, escreveu Georg Sand em A história de minha vida (Um Hiver à Majorque – 1855). “O claustro enchia-o de terrores e fantasmas, mesmo quando estava passando bem. Ao voltar de meus passeios noturnos pela Cartuxa, eu o encontrava pálido, diante do piano, de olhos alucinados, os cabelos arrepiados. Precisava de alguns instantes para me conhecer”.

O casal começa a dar sinais de fracasso.

 



Escrito por Paula às 11h45
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Cap. III - Da Famosa Escritora a Amante Fracassada

Letra da carta de George Sand a Alfred de Musset musicada por Celine Dion

Em 1834, George voltou a Nohant por um breve período a fim de discutir o divórcio e a lutar judicialmente pelos bens herdados de sua avó, ocasião em que teria se envolvido rapidamente com o renomado advogado Michel de Bourges, com quem teve forte influência política. Tendo reconquistado seu patrimônio, somado aos generosos frutos de seu trabalho, George comprou uma casa para ela e Sandeau em Paris e trouxe consigo a filha Solange – Maurice preferiu ficar com o pai.

Agora confiante e famosa, George era presença requisitada em saraus e apresentações em toda Europa. Em contrapartida sua união com Sandeau caminhava à decadência. Entre viagens e compromissos, George conheceu muitos homens, teve vários relacionamentos passageiros, sempre em busca do amor idealizado.

Em uma de suas viagens George conheceu Marie Dorval, uma das mais belas atrizes de sua época, com quem teria um caso passageiro denunciado numa carta escrita por George a Marie: “quero que você me queira em seu camarim, ou em sua cama”.

Outro caso muito famoso foi seu envolvimento com o poeta francês Alfred de Musset (1810-1857), doze anos mais jovem. O casal passou a maior parte do tempo na Itália onde Musset cumpria sua agenda de compromissos, sempre na companhia de George. Na ocasião, Musset escreveu uma de suas principais obras, Lorenzaccio (1834), inspirada no momento romântico que estava vivendo. Ainda na Itália, Musset adoece, debilitado e sem o fulgor do início do romance, George passa a ter um caso com seu médico Pietro Pagello. O fato foi determinante para o fim da relação. Após restabelecer-se, o escritor regressa a Paris. As peças Le Chandelier, On ne badine pas avec l'Amour e Il ne faut jurer de rien mantêm-se em cartaz. Paralelamente, escreve algumas novelas em prosa e a conhecida Confession d'un enfant du siècle (Confissão de um filho do século - que registra pela primeira vez o uso da expressão "Mal do século" como o estado de desencanto e vaga melancolia). Esta obra é uma autobiografia consagrada à ex-amante, na qual Musset manifesta suas lamúrias devido à infidelidade da companheira. Esta relação também inspirou a peça On ne badine pas avec l'amour, de 1834.

 

Pra conhecer as obras de Musset: http://www.spectrumgothic.com.br/literatura/autores/musset.htm

 

 

 

 

 

De volta a Paris, George escreve a Musset:

 

Meu menino querido, estas três cartas não são a despedida da amante que te deixa, é o abraço de uma irmã que ficou. Este sentimento é lindo demais, puro demais e doce demais para que eu possa sentir vontade de acabar com ele.

Que a lembrança de mim não envenene nenhuma felicidade da sua vida mas também não deixe que estas felicidades destruam a recordação de mim. Seja feliz, seja amado. Como você não seria? Mas me guarde dentro de um pedacinho do seu coração e desça para dentro dele nos dias de tristeza para aí encontrar uma consolação ou a coragem.

 Ame, meu Alfred. Ame para sempre, ame uma mulher jovem, linda, que ainda não tenha amado. Que ainda não tenha sofrido. Não a faça sofrer. O coração de uma mulher é uma coisa tão delicada quando não é um pedaço de gelo ou uma pedra.

Eu não acredito que existe um meio termo aqui, nem na sua maneira de amar. A sua alma foi criada para amar ardentemente ou para secar completamente. Você me disse isso cem vezes e tentou desdizer mas nada apagou esta frase.

Quem sabe você me amou com dor para vir a amar uma outra com abandono. Quem sabe esta que virá te amará menos do que eu mas quem sabe ela será mais feliz e mais amada.

Quem sabe o seu último amor será mais romântico e mais jovem. Mas não mate o seu coração, o seu bom coração, eu lhe peço. Entregue ele por inteiro em todos os amores da sua vida, para que um dia, quando você olhar para trás, você possa falar, como eu falo: eu sofri muitas vezes, muitas vezes me enganei, mas eu amei.

 



Escrito por Paula às 14h34
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Cap. II - Do Casamento da Mulher ao Nasicmento da Escritora

Sentados: Alexandre Dumas, George Sand, Marie D'Algout e Liszt ao piano. Em pé: Berlioz, Paganini e Rossini. Sobre o piano, busto de Bethoven. (Josef Danhauser, 1840)

Em setembro de 1822, Aurore se casou com barão Casimiro Dudevant aos 18 anos, ganhando o título de Baronesa Dudevant.

O jovem casal foi morar em Nohant, casa herdada de sua avó por Aurore. Um ano após o casamento nasce o primeiro filho do casal Maurice. A felicidade da nova família harmonizava com o bucólico cenário do local, muitas vezes retratado por Aurore em suas obras. Em meados de 1826 o casal começa a passar por serias dificuldades financeiras, somado a isso, Aurore começa a interessar-se cada vez mais pela leitura, política e pela modernidade do mundo além dos portões de Nohant. A harmonia do casal é ameaçada.

Em 1828 nasce a segunda filha do casal, Solange, que mais tarde teria uma relação muito conflituosa com a mãe. A chegada da pequena não é suficiente para estreitar os laços do casal, Aurore continua casa vez mais interessada pelas letras e pela política. Cedendo as vontades de Aurore, em 1831, Casimiro permite que a esposa vá a Paris tentar a sorte como escritora, fica combinado que Aurore passe períodos de três meses a cada seis em Paris. Para uma relação desgastada e uma alma sedenta de liberdade, Casimiro assinou ali o fim do casamento.

Em Paris, Aurore conheceu o jornalista Jules Sandeau, oito anos mais jovem, com quem começou a trabalhar e também foi amante – isso porque o divórcio de Aurore com Casimiro só foi assinado em 1835. Tendo abandonado a casa, deixado os filhos com o pai e ser apontada como adúltera, Aurore perdeu seus direitos civis de propriedade sobre a fortuna herdada por sua avó, assim como direitos de guar4da e visitas aos filhos.

Com o fim de suas economias e sem qualquer outra fonte de renda Aurore passou a viver como homem, cortou os cabelos curtos, passou a vestir-se com roupas masculinas e a agir como tal. A princípio por questões financeiras vez que as roupas e pompas femininas dispensavam um gasto elevado o qual Aurore não se poderia permitir.

Com Jules Sandeau, Aurore escreveu diversos artigos para o jornal Fígaro, usando o pseudônimo de J. Sand. Logo percebeu que seu estilo literário não possuía a facilidade extemporânea, requisito para um jornalista. Sem se deixar abater, Aurore continuou a busca de sua identidade literária. Com o uso do disfarce masculino, passou a freqüentar salões literários, biblioteca, teatros, julgamentos públicos e a fumar charutos, hábitos inadmissíveis às mulheres de sua época.

Cada vez mais apaixonada pela literatura, Aurore escreveu seu primeiro romance, juntamente com Jules Sandeau, intitulado Rose of Blanche, assinado unicamente por Sandeau. O livro foi muito bem aceito, o editor de Sandeau não demorou para fazer-lhe uma nova encomenda, porém este não tinha nada em mãos. Aurore, por sua vez, tinha acabado de escrever Indiana (1832), seu primeiro romance escrito sozinha, ela o publicou usando o pseudônimo de George Sand – em homenagem aos amado Jules Sandeau.

Em seguida Aurore – agora George Sand – escreveu Valentine, uma produção mais perfeita e que também teve muito sucesso. Em 1833 escreveu Lélia, um best-seller com o qual Sand passou a freqüentar os mais respeitáveis círculos literários e a ganhar a vida com sua pena. George Sand não escapou às criticas da época, entre elas Baudelaire foi o mais severo: “Ela é burra, pesada e tagarela [...]. O fato de que há homens que poderiam se apaixonar por essa vagabunda é realmente a prova da humilhação dos homens desta geração.”

Ainda assim, nascia na França uma romancista, que mais tarde, seria mundialmente conhecida.

 



Escrito por Paula às 14h21
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Cap. I - Do Nascimento a Adolescência da Menina

Casa de George Sand em Nohand, ainda conservada como centro cultural

Amandine Aurore Lucile Dupin nasceu em Paris no dia 1º de julho de 1804, filha de um soldado do Império, Mauricio Dupin Francueil e Victoire Sophie Delaborde. O pai era aristocrata, de nobre linhagem, parente distante de Louis XVI, neto bastardo do Rei da Polônia Augusto II e filho da condessa Aurora de Konigsmark, mais tarde conhecida como Aurore de Saxe ou Condessa de Horn. Já a mãe era plebéia, filha de um profissional apreciador de pássaros. É possível encontrar relatos de que os pais de Aurore se conheceram quando a mãe exercia a “mais antiga profissão do mundo”, servindo aos batalhões de soldados comandados pelo pai.

Aurore perdeu o pai aos 04 anos, numa queda de cavalo enquanto este acompanhava o príncipe Murat em campanhas armadas. Com a morte do pai, Aurore e a mãe vão morar com a avó paterna, Condessa de Hons em Nohant, cidade onde Aurore passaria grande parte de sua infância.

Nos primeiros tempos da nova casa Aurore se mantinha a maior parte do tempo em silêncio, deprimida com a morte do pai, vagava sozinha pelos extensos jardins, não falava com ninguém, quando muito, com seus “amigos imaginários”.

A avó preocupada acompanhava tudo à distância, mas sempre buscando animar a neta. Aos poucos, Aurore foi de deixando levar pelas investidas da avó, seja nos passeios pela propriedade, seja pelas histórias que a avó lhe contava.

A Condessa de Hons era uma mulher a frente de seu tempo, de espírito selvagem, incentivava a neta nos passeios a cavalo, no convívio com os empregados da casa, no contato com a natureza. Com o uso de uma filosofia liberal, incentivava a neta ao uso de calças e camisas largas para facilitar as cavalgadas e as visitas ao campo, trajes nada convencionais para uma menina da época.

Em contrapartida, a mãe de Aurore discordava dos métodos da avó, queria que a filha tivesse uma postura mais contida e se interessasse pelas prendas indispensáveis às moças da época para que um dia, pudesse fazer um bom casamento.

Travada a discórdia nos métodos de criação entre mãe e avô, Aurore foi mandada para um convento em Paris. Adaptando-se ao lugar, Aurore se diverte com as amigas, criando peças de teatro e improvisando saraus literários. Somado ao fascínio das histórias contadas por sua avó, agora a criação de seus primeiros ensaios, Aurore vai se descobrindo uma apaixonada pelas letras.

Deixando-se envolver pelo misticismo do lugar, logo toma gosto pela vida serena e tranqüila do convento, interessada não apenas nos estudos, mas também pela vida religiosa.

Dois anos depois, preocupada com as intenções da neta e reconhecendo sua saúde cada vez mais debilitada, a Condessa de Hons ordena que Aurore volte para casa. Contrariada, Aurore volta para casa onde passa a receber aulas de medicina praticada aos camponeses, filosofia, botânica entre outras, ministradas por seus tutores – todos visionários e modernos escolhidos pela Condessa de Hons.

A felicidade e o entusiasmo de Aurore foi mais uma vez interrompida, agora com a morte da avó, que mais tarde se tornaria a maior responsável pela personalidade da neta. Inconsolada com a perda da avó e com ideais muito diferentes aos de sua mãe, Aurore vai morar com alguns amigos nas proximidades de Melun, onde conhece Casimiro Dudevant, filho ilegítimo do barão Jean-François Dudevant com uma empregada, que mais tarde se tornaria seu marido.

 



Escrito por Paula às 14h17
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George Sand

Amandine Lucie Aurore Dupin

 

Em forma de capítulos, hoje dou início a narração – simplificada – da historia de Amandine Lucie Aurore Dupin, ou Baronesa Dudevant, uma mulher do séc. XIX, que ficou conhecida e até hoje é lembrada, com o pseudônimo de George Sand. As narrativas aqui encontradas são fruto do material encontrado na internet somado a minha parcela criativa, motivo pelo qual, não merecem ser discutidas por historiadores ou críticos biográficos.

George foi uma mulher revolucionária ao seu tempo, uma das primeiras feministas registradas pela história a buscar direitos civis e políticos igualitários entre homens e mulheres, também foi a primeira romancista/novelista a ganhar dinheiro com sua produção literária e a freqüentar ambientes públicos exclusivo aos homens, mesmo que para isso, tivesse que vestir-se como tal.

Alvo de severas críticas, George Sand foi uma mulher de espírito livre, sempre em busca de um amor idealizado, avessa às convenções sociais de rígida moralidade, lutou pelos direitos das classes menos favorecidas e, principalmente, pelos direitos das mulheres casadas, tão reprimidas no seu tempo.

Entre seus casos mais famoso estão o poeta Alfred de Musset – a quem ela traiu com seu médico particular – o pianista Frederik Chopin – sobre quem ela deixou relatos de impotência – e Marie Dorval, a mais bela atriz de sua época com a qual George teve um relacionamento lésbico.

Um rápido olhar no momento político por ela vivido, em sua criação, nas perdas e traumas vividos, nos sonhos e ambições com os quais sempre lutou, fica fácil entender esta mulher, que até hoje, é vista como a frente de nossos tempos.

 

O mundo vai conhecer e compreender-me um dia. Mas se esse dia não chegar, não importa muito. Vou ter aberto caminho para outras mulheres. (SAND, George)

 



Escrito por Paula às 16h42
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Pra conhecer

Nascido em 1982 na cidade de Chongqing, na China, Yundi Li mostrou seu talento musical desde muito pequeno: aos cinco anos ele ganhou o primeiro lugar no competição infantil de acordeão em Chongqing. Em 1989, ele teve sua primeira aula de piano e, dois anos depois, começou a estudar com um dos melhores professores de piano na China, Dan Zhaoyi. Ao ser selecionado para a Academia Musical de Sichuan, ele ainda era estudante da escola secundária. Naquela altura, Yundi já tinha decidido seu objetivo profissional - ser um pianista. Com apenas um ano de estudo, Yundi Li venceu a Competição Internacional Stravinsky de Piano dos Jovens nos Estados Unidos, e no ano seguinte, ganhou a Competição Internacional Liszt de Piano na Holanda. Seu maior triunfo veio em outubro de 2000, quando obteve o primeiro lugar na Competição Internacional Chopin de Piano em Varsóvia. Esta foi a primeira vez em 15 anos que o prêmio foi concedido novamente. Ele também foi o primeiro chinês a ganhar esta honra em 70 anos da história da competição. Seu sucesso em Varsóvia atraiu grande atenção do palco musical internacional, pois os outros ganhadores deste prêmio no passado sempre foram revelados nesta competição, entre eles músicos reconhecidos em todo o mundo, como Martha Argerich e Maurizio Pollini. Como o mais jovem vencedor na história da Competição, Yundi Li mostrou ao mundo o talento e técnica musical dos músicos chineses. Depois da competição, Yundi Li deixou uma impressão de grande auto-confiança na coletiva à imprensa. Ele disse que queria ser o “próximo Krystian Zimerman”. Este revelou sua grande admiração por este famoso pianista. Mas Zimerman recusou-se a ser professor de Yundi Li. Ele disse que, ao conhecer este talentoso músico chinês, percebeu que já não tinha mais nada para ensinar a ele.

 

Do site http://portuguese.cri.cn/101/2008/03/07/1@84812.htm



Escrito por Paula às 17h18
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