Ao longo das janelas mortas Meu passo bate as calçadas. Que estranho bate!...Será Que a minha perna é de pau? Ah, que esta vida é automática! Estou exausto da gravitação dos astros! Vou dar um tiro neste poema horrível! Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso Senhor, as prostitutas, os mortos! Venham ver a minha degradação, A minha sede insaciável de não sei o quê, As minhas rugas. Tombai, estrelas de conta, Lua falsa de papelão, Manto bordado do céu! Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa Esta carcaça miserável de sonho...
Fitei-a no horizonte do meu champagne ao longe, em meio a agitação, aos risos que agora eram surdos. Eu a medi de cima a baixo, sem demora, detalhista. Não demorou para que ela também me percebesse. E ao contrário de mim, ela me lançou um olhar breve, de espanto. Dissimulada como era tratou de dispersar a surpresa do encontro e voltou a conversar com a amiga como se o assunto ainda importasse. Em silêncio senti o seu constrangimento, assim como eu, ela também não desejava aquele encontro inesperado. Eu também era um passado a ser lembrado com raiva, desses que não se deve jamais esquecer mesmo que pudesse. Mas eu mantive o olhar, eu continuei a encará-la, agora com gozo e vitória. O frisson que me gelava o estômago deu lugar a um calor que me tomava o peito, senti meu tronco se erguer e aumentar como se crescesse. Com o aval daquele olhar intimidado me aproximei altiva, escorregando por entre os convidados sem desviar o olhar dela, agora adorando tudo aquilo, quase satisfeita.
Recentemente a renomeada revista americana People elegeu o ator Johnny Depp “o homem mais sexy do mundo”. O astro desbancou alguns favoritos como Hugh Jackman, que interpretou Wolverine em X-Man e Robert Pattinson, a bola da vez de Hollywood com a saga de Crepúsculo. Depp foi descrito pela People como “o rei do cool com um rosto de matar”, “o mais irresistível iconoclasta de Hollywood”.
Eu não sei o que é iconoclasta, mas sei que Depp é li-i-indo-de-morrer!
E quanto a você que sempre quis estar nos meus sapatos?
Eu nunca disse que eles eram confortáveis e ainda assim sempre foram seu maior objeto de desejo.
Aquela segurança, a confiança, a eficiência tem um preço. Passar um título a alguém é fácil, mas é preciso ter cacife para sustentá-lo. Se você não tiver competência, não suportará o peso.
Um pouco tarde, mas finalmente você vê quão árduo é o caminho da excelência.
Digo mais: com um pouco de inteligência, perceba que não era eu quem ofuscava o seu brilho, era você que não o tinha.
Tentar provar o contrário deixou isso ainda mais evidente.
Agora pare de reclamar sua sorte e procure um novo bode para atribuir o seu fracasso.
“Escapei ao agregado, escapei a minha mãe não indo ao quarto dela, mas não escapei a mim mesmo. Corri ao meu quarto, e entrei atrás de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me à cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluços com a ponta do lençol. Jurei não ir ver Capitu aquela tarde, nem nunca mais, e fazer-me padre de uma vez. Via-me já ordenado, diante dela, que choraria de arrependimento e me pediria perdão, mas eu, frio e sereno, não teria mais que desprezo, muito desprezo; voltava-lhe as costas. Chamava-lhe perversa. Duas vezes dei por mim mordendo os dentes, como se a tivesse entre eles. Da cama ouvi a voz dela, que viera passar o resto da tarde com minha mãe, e naturalmente comigo, como das outras vezes; mas, por maior que fosse o abalo que me deu, não me fez sair do quarto e Capitu ria alto, falava alto, como se me avisasse; eu continuei surdo, a sós comigo e o meu desprezo. A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida com o sangue...”(Dom Casmurro, Cap. LXXV)
É melhor mesmo que você fique com ela, vai ser melhor pra todo mundo. A gente não daria certo mesmo, mais cedo ou mais tarde teria terminado, teria durado menos que vocês dois juntos.
Nada contra você não, o problema é comigo, afinal você sabe que não sou do tipo previsível.
Ela em compensação é...mansa. Ta aí uma boa definição. É mansa sim, do tipo domesticada. Do tipo que vai te chamar de “meu bem” enquanto coloca a mesa do jantar usando um avental florido. Ela vai fazer massagem nos seus pés, vai falar com voz açucarada
Ela fará de você um “porto seguro” – como dizem as letras das músicas. Aliás, a vida com ela será um hit do Roupa Nova. Já comigo, nessa correria, nessa de não ter fim de semana nem feriado, de almoçar dirigindo e levantar as 5:00hs pra cumprir prazo seria embalado com um metal tipo Sepultura.
Você vai poder ser o lindo príncipe no cavalo branco que salva a princesa do alto da torre! Já comigo, você nem saberia em que castelo estou, porque em geral, eu mesma não sei. Aliás, essa fábula nunca me agradou.
Ela já vem pronta, não tem que explicar pra ela que você é o macho alfa, que vocês não estão competindo e que ela pode confiar em você. Com ela você não vai levantar durante a noite pra perguntar porque ela não consegue dormir, não vai se cansar de tentar entendê-la, nem vai dizer que ela não se importa com você.
Vocês poderão fazer planos juntos, viagens, fins de semana românticos, vão pensar como um casal. Já comigo isso seria raridade. Mesmo porque não sou de fazer planos, se eu quero tem ser a-go-ra. Dessa parte você até que gostava, mas deve ter se cansado.
Eu nunca te prometi segurança, no máximo que você segurasse minha mão pra gente pular juntos, num rompante.
A vida é mais feliz com alguém como ela, mais tranqüila, mais segura. Todo mundo precisa disso um dia. Você disse que me falta maturidade pra encarar um relacionamento, talvez você esteja certo. Mas você não pode parar sua vida pra que eu possa te alcançar, tem que seguir em frente e dessa vez com alguém melhor.
Eu vou ficar por aqui, vou ficar bem. Tenho umas coisinhas pra resolver e depois pegar a estrada.
Só mais uma coisa: quando o tédio chegar, e ele chega, pense que você poderia ter pulado.
Em resposta às críticas do tipo “Nossa Paula, que horror aquela historinha que você escreveu lá no teu blog!”, eis me aqui na tentativa didática de apresentar à alguns a Escola Rodriguiana, bem como, trecho que um excelente site que encontrei a respeito do tema:
“Nelson serviu-se de praticamente todas as técnicas do baú melodramático. A ação de suas peças, por exemplo, é sempre pontuada por um grande número de revelações surpreendentes e reviravoltas súbitas. A peripécia final, conduzindo ao desfecho em geral catastrófico, é invariavelmente planejada para produzir um efeito espetacular. Muitos desses coups de théâtre se valem da pista falsa, que induz o espectador a crer em algo que será radicalmente desmentido mais tarde.
Permeada de guinadas e choques, a ação do drama rodriguiano flui com energia e velocidade. Ao longo de uma rápida sucessão de eventos, a tensão dramática vai se intensificando. Não há tempo para longas exposições, preparação dramática elaborada ou caracterização minuciosa de personagens. Exposição, preparação e caracterização saltam da própria ação e diálogo, que vão sem rodeios ao fulcro dramático.
As peças lidam com situações extremas e extraordinárias, em geral ancoradas no incesto, na depravação e na violência. Seus agentes principais serão, pois, necessariamente, criaturas excepcionais, movidas por forças obscuras e avassaladoras, incapazes de comedimento ou concessão. Radicalismo, exacerbação, paroxismo são termos que se aplicam a quase todos os heróis rodriguianos, que não se parecem nem de longe com o homem comum nem com aquele retratado no drama realista. São heróis no sentido original da palavra, ainda que a estatura superior nasça de uma inversão dos pressupostos habituais. A grandeza desses seres não vem da conquista, através de sofrimento e nobreza espiritual, mas de uma precipitação espetacular na mais absoluta degradação. É pela total transgressão que se tornam sublimes, um pouco como os tipos de Jean Genet. São figuras operáticas, marionetes gigantescas varrendo o palco com gestos frenéticos, debatendo-se em extrema confusão, aprisionados num torvelinho de contradições. Mesmo os personagens secundários, sem ir tão longe como os protagonistas, se singularizam por alguma excepcionalidade ou traço idiossincrático”. (GRIFADO POR MIM PARA AQUELES COM MAIOR DIFICULDADE DE INTERPRETAÇÃO)
P.S.: O TEXTO É MEU, NÃO ESTÁ EM NENHUM LIVRO QUE EU POSSA EMPRESTAR
Em todo o bairro não havia casal mais harmonioso, uma beleza de se ver. Dorinha e Rodolfo eram casados há cinco anos, mas ainda mantinham o romance do namoro precoce. Tamanha alegria intrigava as recalcadas da rua – de quê adianta tantos beijos e afagos nem filhos eles tem!
Assim que chegou a rua Rodolfo logo percebeu a presença da doce Dorinha: Quem é a pequena?
- Nem em sonho. Se eu fosse você, ficaria curioso em conhecer o pai dela – alertavam.
Dorinha era a filha mais nova do Sr. Gusmão, um oficial aposentado que teve quatro filhas. Conservador como só, sempre zelou pela boa fama da mulher e filhas. A moralidade de calças.
- Em todo o bairro, quiçá em toda a cidade, não existem filhas mais virtuosas que as minhas.
Para não correr o risco de faltar com a verdade, Sr. Gusmão fez questão de casar todas as filhas o quanto antes, exceto a mais nova, que com a aposentadoria, detinha tempo de sobra para zelar pela pureza da jovem.
A medida em que Dorinha crescia em vigor e formosura, crescia a paixão de Rodolfo pela moça. Os dois se viam todos os dias, em especial quando Dorinha ia com a mãe à quitanda da esquina onde Rodolfo trabalhava como empacotador.
Entre olhares e discretos risos já eram íntimos sem a troca de uma palavra. Rodolfo sabia da fama do pai de Dorinha, assim como sabia que não tinha condições de dar vida tranqüila à moça, mas ainda assim, alimentava esperanças nos olhares correspondidos de Dorinha. Até que...
- Hoje vou falar com teu pai.
- Falar o que? Ficou louco?
- Fiquei não, passei no concurso dos correios, começo na próxima quinzena, agora só falta falar com teu pai.
- Ele vai te matar.
- Deixa matar, melhor que morrer de amor.
O pedido
Naquela noite Sr. Gusmão degustava seu licor próximo a janela como de costume quando foi interrompido - Papai, tem alguém na sala querendo falar com o senhor – anuncia Dorinha.
- Quem é? – já se levantando para despachar quem quer que fosse.
Ao chegar na sala, viu Rodolfo em pé, de camisa abotoada até o pescoço e cabelo penteado para o lado, segurando o chapéu surrado com as duas mãos na altura da cintura. As mãos que apertavam a aba anunciavam a tensão do momento.
Entre gaguejos e piscadelas, Rodolfo se apresentou e foi logo expondo a situação, sem sequer um convite para sentar ou um copo d’água que aliviasse o pedido de casamento.
O velho ouvia a tudo sentindo o maxilar enrijecido, subiu-lhe um calor que deixava escapar o vermelhão do pescoço, estava a ponto de escorraçar o rapaz porta a fora quando viu o sorriso de Dorinha denunciar a cumplicidade do momento e ameaçar a pureza da cândida moça.
No intervalo do silencio, Sr. Gusmão caminhou pela sala em passos firmes:
- Sr. Rodolfo, esta pequena é o meu bem mais precioso, dentre todos os outros, é o único bem que a vida ainda me conservou. E eu te digo uma coisa: dentre todas as puras que se foram é aquela que compensaria a saudade de todas as outras.
A vida
Da data do pedido ao casamento foi o prazo para que Rodolfo começasse no emprego novo. Como já parecia tradição, Dorinha e Rodolfo foram morar próximos a casa dos pais da jovem, porém, mais próximos do que suas irmãs.
A vida seguia bem, Rodolfo prosperava no trabalho enchendo o sogro de orgulho e a esposa de mimos e carinhos.
Quando reunidas as irmãs tratavam de maldizer sua sorte umas às outras, como de costume entre as mulheres casadas. Mas Dorinha não. Eternamente enamorada, não via a hora de dar ao marido um filho para selar a felicidade do casal.
- Rodolfo é o melhor homem do mundo – suspirava.
A felicidade da filha enchia o Sr. Gusmão de orgulho e aumentava a afeição pelo genro. Aquela altura Rodolfo era da casa, companheiro de pescaria e jogo de bocha do velho Gusmão: o filho homem da família – remoçava Sr. Gusmão.
A surpresa
No dia do aniversário de Dorinha, Rodolfo quis lhe fazer uma surpresa especial, nada de apenas flores e bombons como de costume, aquele seria um aniversário para sempre lembrado. Antes mesmo de chegar em casa, Rodolfo passou na casa do sogro para extravasar a ansiedade:
- Minha sogra, dá aqui um abraço, eis o homem mais feliz do mundo!
- O que foi meu filho?
- Veja aqui, é o exame de gravidez de Dorinha, ela espera um filho meu, seremos uma família completa! Quero lhe fazer uma surpresa de aniversário!
- Ah meu filho, quanta alegria, Dorinha vai ficar muito feliz!
- Onde está meu sogro?
- Ele foi à feira pra mim, mas não demora.
- Não posso esperar, ainda tenho que comprar flores para a nova mamãe, quero que este dia jamais seja esquecido. Não diga nada ao Sr. Gusmão, ainda hoje voltarei com Dorinha pra que ela conte ao pai pessoalmente. Que dia minha sogra, que dia! – e saiu deixando a sogra emocionada.
Rodolfo teve tempo de fechar a porta da frente quando Sr. Gusmão entrou pela cozinha e perguntou à esposa do que se tratava tamanha barulheira.
A mulher conteve as lágrimas, fechou a cara pra não levantar suspeitas e voltou à louça sobre a pia: “Era Rodolfo, estava agitado, disse que vai surpreender nossa filha essa noite, não entendi direito.”
Sr. Gusmão não ouviu mais nada, não perguntou nada e não entendeu nada. Em silencio, largou as sacolas sobre a mesa devagar e saiu em direção à casa da filha sem que a esposa percebesse qualquer movimento.
Atravessou a rua cego e surdo. Abriu o portão, passou pela garagem, não viu o carro de Rodolfo, entrou pela porta dos fundos, atravessou a sala de jantar com mesa posta, flores e velas que aguardavam uma cena de romance. Viu a filha de costas, entretida com o jantar, a moça ainda se virou antes que o pai lhe segurasse pelo pescoço tão forte que não sentia mais as mãos e repetia enraivecido
- Antes morta que adúltera, antes morta que adúltera! – enquanto a filha perdia as forças agonizante.
Rodolfo assistia a tudo parado à porta da cozinha com os olhos mareados, a boca trêmula, um ramalhete de flores numa mão e um envelope na outra. Foi um aniversário inesquecível.
Baseado, muito modestamente, na coletânea "Elas gostam de apanhar" de Nelson Rodrigues
“Enquanto dormimos a dor que não se dissimula cai gota a gota sobre nosso coração até que, em meio ao nosso desespero e contra nossa vontade apenas pela graça divina vem a sabedoria” (Ésquilo, 525-456 a. C.)
Ésquilo é considerado o primeiro poeta trágico grego, à ele é atribuída o nascimento da tragédia, o suspense em cena, a marcação dos atores e o uso de mais de um personagem nas atuações em cena, vez que até então, as peças eram apresentadas em monólogos.
Vencedor de mais de cinqüenta prêmios no teatro sua vida e obra por si já seriam eternizados se não fosse sua morte.
De família abastada, assim que Ésquilo nasceu os pais foram consultar um oráculo para saber o destino do menino e rezar sua sorte. A profetiza então lhes disse que a morte de Ésquilo viria do Céu - sem porém, mencionar que este seria o sentido literal da palavra. Sua morte deu-se quando uma águia, confundindo sua cabeça calva com uma pedra, deixou cair uma taetaruga, com objetivo de partir a carapaça, matando Ésquilo, encerrando com comédia a vida do pai da tragédia.
Dica: nunca gostei de instrumento de sopro, mas Beirut têm feito toda a diferença.
- Doutora, eu fiz chá hoje, talvez a senhora prefira.
- Não café está ótimo.
Chá? Tá de brincadeira comigo? Pregada de sono do jeito que eu tô ela me vem logo cedo com chá? É provocação é?
- O seu café doutora. A senhora acordou melhor da enxaqueca?
- Melhor, um pouco melhor, obrigada.
Como se você se importasse.
- Eu tava assistindo o jornal essa manhã, a senhora viu que continua a greve dos bancários?
- Não, não vi.
Como se eu me importasse.
- É pois é, a coisa tá feia nesse Brasil!
O quêêêêêêêê! “A coisa tá feia nesse Brasil!” Meu Deus, será que eu tô numa praça de idosos-década-de-20? Esse é o típico comentário de quem não sabe do que tá falando.
- É, pois é...
Essa é a típica resposta que se dá pra quem não sabe do que tá falando: resposta do tipo “chega-de-conversa”. Mas será que ela entendeu essa parte?
- Tá no jornal também.
Pelo visto não.
- Já andei dando umas folhadinhas antes da senhora chegar.
Aham, sei, pra ler o horóscopo.
- Aliás, eu nunca perguntei, a senhora se importa de eu ver o jornal antes da senhora? É por que tem gente que não gosta, e como eu nunca perguntei...
- Não, eu não ligo pra isso.
Blá, blá. blá, blá, blá, blá, blá....
- Bem, eu pergunto por que talvez a senhora não queira me dizer que não gosta, mas tá tudo bem se não gostar, de verdade. Eu posso ler depois da senhora. É ruim pegar um jornal que já foi mexido. Eu sempre tento deixar o mais organizado, mas às vezes sabe como é.
- Tá tudo bem mesmo.
Cadê uma bigorna quando se precisa?
- Eu tô indo no mercado comprar coca-cola, a senhora ainda tem neosaldina? Posso passar na farmácia também.
- Sim, pode comprar.
Aleluia! Louvado seja!
- Doutora, qual o perfume que senhora está usando hoje?
- 212
1, 2, 3, 4,...
- É verdade, eu já havia perguntado. Eu já conhecia esse perfume, mas é que na senhora fica muito melhor. Incrível como alguns perfumes ficam melhores em algumas pessoas e em outros não. Na senhora por exemplo fica excelente! Deve ser a pele...
- O que tem a minha pele?
- Não, nada, pelo contrário! Só estou dizendo por que como o perfume fica muito melhor na senhora do que nas outras pessoas em que senti, é sinal que a sua pele orna muito bem com esse perfume.
Hã? Orna?
- Quem me dera ter uma pele assim! Pra mim é difícil até de acertar o sabonete! Quando eu penso em comprar alguma coisa melhorzinha, já encho de brotoeja, sabe como é pele de pobre, não pode ver coisas boa, rsrsr.
Brotoeja?
- Bem, agora eu vou antes que fique tarde.
- Ok.
Rsrs, coitadinha, sempre querendo ser gentil. A velha política de boa vizinhança. Já pensou se ela fosse igual a você? Entraria na sua sala e ao invés de dizer “bom dia!”, diria: “o jornal”, e tacaria com toda força na sua cabeça. Ela não é tão chata assim.
O que será que ela pensa de mim enquanto conversa?
- Silvana!
- Sim doutora.
- Traga uns biscoitinhos que você goste pra comer com o seu chá.
Desde os primórdios cabelos curtos sempre foram meus favoritos. Já tive todos os tipos de cortes curtos que se possa imaginar, desde um clássico Chanel à um ousado Victoria Beckham, e adoro todos.
Sem desmerecer os cabelos longos, mas os cabelos curtos valorizam o rosto da mulher, o olhar, deixam o colo mais feminino e dão vida aos ombros e a nuca, verdadeiras armas de sedução feminina – ao meu ver.
Engana-se quem acredita na praticidade e simplicidade do cabelo curto, muito pelo contrário. O cabelo curto é mais exigente, tem mais personalidade, mais estilo e por isso não aceita qualquer roupa, maquiagem ou acessório. Um rosto com traço feminino é imprescindível pra não correr o risco de parecer uma “jacú” apagada ou ficar masculinizada.
Em contrapartida, aceita melhor uma presilha, um lenço ou chapéu, dando um ar muito mais romântico à mulher, principalmente se ela tiver um curto cacheado – meu favorito.
Para muitas mulheres cabelo curto é questão de coragem. Ledo engano. É uma questão de ousadia, bom gosto, independência, originalidade e confiança. É a certeza de que a beleza e a sensualidade feminina não estão apenas nos cabelos, mas em todo um conjunto de elementos, inclusive na asquerosa e cinzenta massa encefálica.
Não sou ingênua a ponto de acreditar que cabelos curtos são a preferência masculina, mas isso nunca foi lima para minha tesoura. Meus cabelos curtos são meu cartão de visita, refletem bem o meu tipo diferente-indiferente, me empurram pro topo da árvore de Drummond e selecionam, naturalmente, os “interessantes”.
Autoria: Fecundo (ou Facundo - depende o site) Cabral
Suri e seus olhinhos (não adianta, virei tiete)
Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que é algo fundamental para viver.
Não caia no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa.
Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada. Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor e segue em teu coração.
Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
(...)
Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te de Jesus: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.
Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Aliás o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida. Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor . E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.
Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela. Se ele possuísse uma carteira, tua foto estaria dentro dela. Ele te envia flores a cada primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, porém escolheu o teu coração. Enfrenta, amigo, Ele está louco por ti!
Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho. Quando a vida te apresenta mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir. Não, não estás deprimido, estás distraído!
Recebi esse texto via e-mail da minha comadre Maria Amélia. Me fez bem o dia todo, por isso revolvi postar aqui!
Ontem conheci um stander de tiro (isso é pleonasmo?). Nunca gostei de armas, não me dou bem com elas. Elas me intimidam e eu não luto contra. Na verdade gosto de ter essa postura, não quero banalizá-las a ponto de encará-las como um objeto, uma “coisa” como fazem aqueles que as manuseiam. Não quero me esquecer pra quê elas servem.
Nem sempre foi assim. Uma vez quis dar um tiro, pra saber como é. Sentir o peso de uma arma na mão, a pressão do disparo, ouvir aquele estouro provocado, enfim, saber como é dar um “teco”. Eu e uns amigos fomos a um sítio “brincar” de tiro ao alvo e eu iria atirar. Iria, até pegar a arma na mão. Isso já faz alguns anos, mas nunca esqueci da gélida sensação ao segurar aquele pedaço de ferro.
Eu me posicionei, ainda eufórica enquanto sentia o peso daquela arma aumentar.
Não consegui. Ouvia meus amigos dizendo “Vai Paula, agora é só apertar esse negócio com o dedo”. Mas não consegui. Fiquei quase em choque por horas. Não conseguia me desfazer do peso e do frio daquilo em minhas mãos. E foi assim que brotou em mim uma sensação de temor, respeito e aversão às armas de fogo.
Apesar de tudo isso, aceitei o convite pra conhecer um stander. Percebi que o mesmo respeito que tenho pelas armas os profissionais que as usam como esporte também tem. E isso foi bom, porque me senti menos histérica e mais humana, por assim dizer.
A semi-simpatia que senti por elas durou até eu perceber a presença do pequeno Mateus(*) ali do meu lado. Um menino de 06 anos que acompanhava o pai e brincava solitário com seus cavalinhos, índios apaches e mini-soldadinhos. Falava sozinho, criava suas aventuras, frases de Chuck Norris e bizarras sonoplastias. Logo o doce Mateus roubou toda minha atenção e ficamos eu e ele, seus brinquedos e o universo imaginário que nos ligava sem a troca de um olhar.
Nosso mundo Pocahontas foi interrompido pelo pai intimidador: “Mateus, vem, já tá carregada”.
Eu preferia não acreditar naquilo que ouvi enquanto via o menino largar seus brinquedos, colocar um abafador nos ouvidos e se dirigir ao pai sem qualquer sinal de euforia ou desanimo. Pura indiferença.
O menino se posicionava em frente ao pai com os olhos fechados, enquanto este o ajudava a segurar a arma. Juntos os dois deram cinco tiros enquanto eu, já de pé, via aquilo boquiaberta pensando no telefone do Conselho Tutelar.
Depois de deixar o pai orgulhoso, o menino voltou a brincar com seus soldadinhos ali do meu lado, como se nunca os tivesse abandonado. Zilhões de coisas se passavam na minha cabeça. Saber o que aquela criança pensava daquilo se tornou meu principal objeto de desejo. Tomei coragem:
- Oi.
- Oi.
- Você...quer coca-cola?
- Não, eu não tomo nenhum tipo de refrigerante, meu pai não deixa, disse que faz mal à saúde.
- Ahhhhh...
Acabou a conversa. Mateus não disse mais nada e eu fiquei com aquele turbilhão na minha cabeça. Nada mais interessava, nem o som dos disparos, nem os brinquedos de Mateus.
Era informação demais pra um inocente domingo gelado.
Algumas coisas não devem ser esclarecidas, merecem a duvida. Saber o que Mateus pensava sobre aquilo, o que sentia, sua visão sobre o mundo, seus temores e seu universo são duvidas que me acompanharão para sempre.
O paradoxo de um pai que proíbe o filho de tomar refrigerante enquanto coloca uma arma em suas mãos também.