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Ensaios



Cap. VI - Do Rompimento a Mágoa

 

A gota d'água em seu relacionamento foi, em 1846, a publicação em capítulos, no Correio Francês, do romance Lucrezia Floriani, em que Georg Sand descrevia de forma estilizada o relacionamento com Chopin, e nas cartas que mandou de Mallorca para os amigos, George Sand não escondia que o músico era um homem frágil, extenuado pela doença e que isso se refletia negativamente em seus contatos físicos: “Permaneci uma virgem imaculada durante todo o tempo que passamos juntos nesta ilha”. Além disso, a população os encarava como se fossem pagãos ou maometanos. Todos viravam a cara àquela mulher de calças compridas, que fumava charutos, e se eles precisavam de verduras ou legumes, tinham de pagar preços inacreditáveis por eles. Chopin fingiu, a princípio, não se reconhecer na figura do príncipe Karol, com quem a protagonista vive um amor apaixonado que, aos poucos, se transforma na guerra surda a que se entregam os casais desunidos que continuam juntos por pura rotina. Entretanto, havia sempre amigos que o alertavam.

Irritado com a publicação do livro, e sem poder mais pretextar não ter entendido que era a convivência dos dois que George descrevera, Chopin saiu em novembro de 1846 de Nohant - para onde nunca mais voltaria - e voltou sozinho para Paris. Um tortuoso episódio familiar lhe daria, logo em seguida, a certeza de ter sido descartado da vida dos Dudevant.

Solange, que estava de casamento marcado, conheceu em Paris, onde fora comprar o enxoval, o escultor Clésinger, por quem se apaixonou; e pôs fim ao noivado por causa dele. George tentou de todas as formas impedir a união da filha com esse homem, que considerava grosseiro, mal-educado e de um nível inferior ao dela; mas pediu a Grzymala que não deixasse Chopin intervir. As cenas violentas que irromperam entre mãe e filha não detiveram Solange: casou-se com Clésinger, em 6 de maio e, logo em seguida, levou o marido para apresentá-lo à Chopin, que se ofendeu por não ter sido consultado e nem sequer ter sido avisado do casamento. Ficou claro para ele que George o excluíra dos aspectos mais íntimos de sua vida. A carta de rompimento que lhe enviou, em agosto de 1847 é atroz, escreveu em seu Diário o pintor Delacroix, para quem Chopin a leu: nela se manifestam as paixões mais cruéis, todas as impaciências longamente reprimidas. Chopin, porém, preferiu escapar da agitação no continente, passando uns tempos em Londres, onde se encontrou com alguns amigos que tinham escolhido o mesmo caminho: Berlioz, Kalkbrenner, a cantora Paulina Viardot. A situação política em Paris, porém, não o ameaçava de forma alguma. Se estava fugindo, era das recordações penosas, da falta que George e seus filhos lhe faziam. Disseram-me que ele me chamou, lamentou minha perda, amou-me filialmente até o fim, escreveu ela após sua morte. Chopin faleceu em Paris, a 17 de outubro de 1849 e seu último desejo foi atendido. Três mil pessoas foram à cerimônia fúnebre, realizada no na igreja de Madeleine. Em seu enterro foi interpretado a Missa Requiem de Mozart, como queria. O regente do Teatro da Ópera, Francisco Habeneck, foi quem regeu a obra, cantada por Luiz Lablache e Paulina Viardot, cujas vozes Chopin admirava tanto. Seu corpo está enterrado no cemitério do Père Lachaise, entre os túmulos de Cherubini e Bellini. Dentro da urna, depuseram a taça cheia de terra de seu país natal, que lhe fora presenteada pelos amigos, quando ele deixou Varsóvia. O coração, que lhe tinha sido extraído do peito, foi levado para a Polônia e lá se encontra sepultado.

 



Escrito por Paula às 11h07
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Cap. V - Elle et Lui

Elle et Lui - George Sand e Frederik Chopin

Em 12 de fevereiro, convenceram-se: sua lua-de-mel tinha sido um fiasco. Estava na hora de voltar à França. Mas não havia um só carro em Palma para levá-los até o porto. No caminho, Chopin teve uma hemoptise, que se repetiu durante a viagem no precário barco espanhol El Mallorquín, carregado de porcos que grunhiam sem cessar, reagindo ao balanço daquela casca de noz. Só quando mudaram, em Barcelona, para o navio francês Le Méléagre, o médico de bordo conseguiu deter a hemoptise. Dias depois, estavam instalados no Hotel de Beauvau, em Marselha, onde “podendo finalmente dormir numa cama decente e estender a mão para as pessoas sem que elas recuassem horrorizadas”, Chopin sentiu-se ressuscitar.

Daí até a ruptura em 1847, os momentos mais tranqüilos que os dois amantes viveram foram em Nohant, a propriedade campestre de Georg Sand, mantida até hoje como museu da convivência difícil entre aqueles dois seres dessemelhantes. A respeito escreveu Delacroix: “ondas da música de Chopin entravam pela janela aberta para o jardim, misturando ao canto dos rouxinóis e ao perfume das rosas” Frustrada a esperança da grande paixão erótica, George pareceu compreender que lhe estava reservado, ao lado desse homem genial e de sensibilidade à flor da pele, o papel de protetora, de enfermeira quase. Segundo a escritora, “sua mãe foi a única mulher que ele amou de verdade”.

A saúde de Chopin só piorava, em 1844, George escreveu à Luisa, irmã de Chopin pedindo-lhe que viesse a Paris com o marido, para visitá-lo: “Vocês encontrarão o meu querido menino muito triste e bastante mudado. Não se assustem demais, entretanto, com a sua saúde. Ela se mantém sem maiores alterações há seis anos e, apesar de sua compleição delicada, o problema no peito parece curado”. A alegria de rever a irmã, porém, fez com se recuperasse um pouco. Era real o prazer que sentia em levá-la e ao marido para conhecer Paris, e em ver que Luisa se dava às mil maravilhas com George que, à noite, lia para ela, em voz alta, passagens do Charco do diabo, no qual estava trabalhando.

O relacionamento dos dois amantes, entretanto, estava passando por um lento processo de erosão, de dentro para fora, e aproximava-se o momento em que a vida em comum já não seria mais possível. Chopin suportava mal a personalidade autoritária da companheira, e esta se irritava com suas suspeitas, seus ciúmes, a recusa dele em conviver com seus amigos - vendo em cada um deles um amante em potencial. Ela o censurava também por não se interessar por suas idéias, pelas causas sociais que a mobilizavam, pela paixão, precursora do feminismo, com que batalhava pelos direitos de seu sexo; e, naqueles tempos de anti-clericalismo militante, considerava-o reacionário por permanecer - como todo bom polonês - fiel à sua fé católica. Além disso, entravam constantemente em choque por motivos familiares, pois Chopin desagradava que ela favorecesse sempre Maurice, em detrimento de Solange; e George, embora visse com bons olhos o carinho que ele demonstrava por seus filhos, não permitia que a interferência passasse de determinado limite.

 



Escrito por Paula às 10h58
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