http://http://www.heco.com.br/nelson/ensaios/03_02.php

Escola Rodriguiana

Em resposta às críticas do tipo “Nossa Paula, que horror aquela historinha que você escreveu lá no teu blog!”, eis me aqui na tentativa didática de apresentar à alguns a Escola Rodriguiana, bem como, trecho que um excelente site que encontrei a respeito do tema:

 

 

 

 

“Nelson serviu-se de praticamente todas as técnicas do baú melodramático. A ação de suas peças, por exemplo, é sempre pontuada por um grande número de revelações surpreendentes e reviravoltas súbitas. A peripécia final, conduzindo ao desfecho em geral catastrófico, é invariavelmente planejada para produzir um efeito espetacular. Muitos desses coups de théâtre se valem da pista falsa, que induz o espectador a crer em algo que será radicalmente desmentido mais tarde.

Permeada de guinadas e choques, a ação do drama rodriguiano flui com energia e velocidade. Ao longo de uma rápida sucessão de eventos, a tensão dramática vai se intensificando. Não há tempo para longas exposições, preparação dramática elaborada ou caracterização minuciosa de personagens. Exposição, preparação e caracterização saltam da própria ação e diálogo, que vão sem rodeios ao fulcro dramático.

As peças lidam com situações extremas e extraordinárias, em geral ancoradas no incesto, na depravação e na violência. Seus agentes principais serão, pois, necessariamente, criaturas excepcionais, movidas por forças obscuras e avassaladoras, incapazes de comedimento ou concessão. Radicalismo, exacerbação, paroxismo são termos que se aplicam a quase todos os heróis rodriguianos, que não se parecem nem de longe com o homem comum nem com aquele retratado no drama realista. São heróis no sentido original da palavra, ainda que a estatura superior nasça de uma inversão dos pressupostos habituais. A grandeza desses seres não vem da conquista, através de sofrimento e nobreza espiritual, mas de uma precipitação espetacular na mais absoluta degradação. É pela total transgressão que se tornam sublimes, um pouco como os tipos de Jean Genet. São figuras operáticas, marionetes gigantescas varrendo o palco com gestos frenéticos, debatendo-se em extrema confusão, aprisionados num torvelinho de contradições. Mesmo os personagens secundários, sem ir tão longe como os protagonistas, se singularizam por alguma excepcionalidade ou traço idiossincrático”. (GRIFADO POR MIM PARA AQUELES COM MAIOR DIFICULDADE DE INTERPRETAÇÃO)

 

 

 

P.S.: O TEXTO É MEU, NÃO ESTÁ EM NENHUM LIVRO QUE EU POSSA EMPRESTAR